A dama e o vagabundo


Fomos apresentados por uma amiga comum. Sr. P. era um homem bonito, de olhar instigante e aquele jeito de carioca – largadão e sedutor. Eu não estava à procura de um macho, mas após uma breve e inusitada conversa, minha libido se assanhou. Percebendo a corrente elétrica que passava entre nós, ela deixou-me entregue à experiência e malícia daquele homem que transpirava masculinidade e ousadia. E foi com este belo espécime da raça masculina que cheguei àquele apartamento - confortável, mas carente de mãos femininas. Um autêntico e verdadeiro esconderijo de garras e instintos felinos!

Gentil e fino, o Sr. P me ofereceu vinho. Sentamo-nos. Um frente ao outro. Era uma tarde fria. Minha pele estava arrepiada – parte pelo frio, parte pelo tesão que a situação exalava. Eu ainda não estava completamente à vontade, mas jamais deixaria que ele percebesse a minha timidez. Uma deusa – era assim que eu queria ser lembrada – não se deixaria escorregar nos terrenos da inibição. Enquanto saboreava o vinho, sem me esquecer de passar a língua devagar pela taça, olhava-o do jeito mais sedutor que o espelho havia me ensinado. E pensava em todas as possibilidades que aquele belo físico estava me abrindo. Um frisson foi tomando meu corpo. E o desejo apagando a expressão de inocência com que, propositalmente, me apresentei a ele. Se percebeu, ele não demonstrou. Olhava-me como se eu fosse única e ele existisse apenas para me dar prazer. Um cafajeste, na mais profunda acepção da palavra.

Ainda escondendo a mistura de inibição e excitação, perguntei-lhe sobre os brinquedinhos que usava em suas sessões de sexo. Tranquilamente, naquele andar largadão que me fascinava, ele se levantou. Minutos depois voltou com cordas, algemas, consolos, algumas peças de roupas e mais alguns objetos que ignorei. No primeiro momento apenas olhei. Eu ainda estava me decidindo se tomava a iniciativa ou me entregava àquele felino irônico e excessivamente cônscio de seu poder. Instintivamente, percebi nele o desejo de me dominar. Antecipei-me e assumi o comando. Com voz doce, mas firme, pedi que se despisse e prendi-lhe as algemas. Com mãos ágeis tracei desenhos com a corda em seu corpo. Ele não se abalou. Olhou-me divertido como a esperar pelas minhas pobres tentativas de submetê-lo. Neste momento, decidi: eu o teria aos meus pés. Testei-o com insultos. Ele continuou impassível. Sua figura toda mexia comigo. Em especial aquela impassividade irônica e um tanto prepotente. Profundamente mexida, vesti a minha personagem preferida: virei deusa inescrupulosamente exigente.

Com a outra corda, amarrei-lhe testículos e falo (como era avantajado o instrumento daquele Sr. P!) e puxei com toda força. Sorri ao ouvir seu gemido surpreso. Passei a ponta da corda por entre suas pernas e amarrei-a em sua cintura, por trás. Vi em seus olhos os primeiros brilhos de tesão. Ele estava muito próximo de perder o controle. Como um tigre faminto que vê a carne pelas grades de sua prisão.

Completamente imobilizado, mandei que entreabrisse os lábios. Sem aviso, mordi-lhe o lábio inferior, suguei, mordi novamente, até senti-lo pulsando desesperadamente. Era o sinal que eu esperava. Devagar me afastei dele. Com gestos lentos e sem tirar os olhos dos seus, minha roupa foi caindo, peça por peça. Os bicos dos meus seios estavam duros e por entre as pernas eu já sentia a umidade da expectativa. Ele me chamou sua puta gostosa. Bati-lhe na bunda com toda a força do meu tesão. Mandei-o calar-se e comecei a explorar seu corpo.

Peito peludo, pêlos negros e macios. Minhas unhas fizeram um caminho avermelhado por entre eles. Minha boca foi atraída pelos mamilos também duros. Mordi-os, com vontade. Primeiro um, depois outro. Ele gritou e agarrou meus cabelos com a boca. Soltei-me e bati-lhe novamente. Desta vez com menos força, mas em seu falo. Impávido, o instrumento do seu orgulho continuou me olhando, duro e desafiante. Rasguei sua camisa e improvisei uma mordaça – não queria correr o risco de ser mordida por aquele tigre ainda indomado. E voltei a tratar de seus mamilos. Desta vez, com dentes, lábios e mãos. Dos olhos dele vinham todos os palavrões que a mordaça escondia. Quanto mais eu o mordia, mais excitado ele ficava. Resolvi então beijar-lhe. Carinhosamente. Deixei minha língua passar por seus lábios separados pela mordaça, bem devagar, enquanto esfregava lentamente meu corpo no seu. Quando percebi que ele fechava os olhos, puxei a corda que o amarrava. Ele deu um grito surdo e seu corpo retesou-se. Ao mesmo tempo, o monumento começou a lubrificar-se. Afastei-me e gargalhei.

Mandei que se sentasse no chão. Olhou-me e por um momento achei que não obedeceria. Mas sentou-se. Abri minhas pernas e agarrei seus cabelos. Depois de esfregar seu rosto entre minhas coxas, tirei-lhe a mordaça. Esfreguei-me em sua boca, languidamente. Devagar e carinhosamente, sua língua foi passeando em minha carne, sua boca me sugando e lambendo num excitante movimento de vai-e-vem. Ele sabia como agradar uma mulher, o cretino! Derreti-me e lambuzei seu rosto numa explosão de líquido quente.

Antes que eu me desmontasse sobre ele, empurrei-o e com o salto da sandália imobilizei-o no chão. Olhei seu corpo bonito estendido no assoalho brilhante. Uma vontade de morder fez com que eu cerrasse os dentes. O falo continuava impávido colosso. A cabeça vermelha brilhava como a pedir minha língua. Ainda não era o momento de dar-lhe o calor da minha boca. Mandei que se virasse, tirasse minhas sandálias e adorasse meus pés. Primeiro, lamber cada dedo. Depois, chupar, devagar e com carinho. Sentei-me sobre a lateral de seu corpo, agarrando-lhe os cabelos com uma mão. Com a outra, explorava-lhe cada pedacinho da pele. Senti-o retrair-se quando passei minha unha entre suas nádegas. Puxei mais os cabelos e, sorrindo, continuei a exploração. Aos poucos, meu dedo indicativo encontrou o caminho. Com um prazer quase orgásmico, enfiei de uma vez. A unha vermelha abriu caminho na virgindade dele. Entre gemidos surdos, sua boca chupou loucamente meu dedão e um jato de esperma molhou minhas pernas. Afundei mais o dedo até que ele tivesse jorrado tudo. E antes que ele relaxasse, mandei que lambesse seu gozo espalhado pelas minhas pernas.

Olhei-o. Seu rosto era um misto de surpresa e satisfação. Seus olhos brilhavam e o corpo relaxado estava coberto de suor. Parecia um deus grego majestoso e saciado. Tirei-lhe todas as cordas e joguei-me sobre a cama. Sem palavras. Meu corpo falava por mim. Ele olhou-me e vi em seus olhos um brilho novo, insinuante, delatando uma sexualidade rude e latente. Eu sabia que não seria fácil domá-lo. Nem queria. Um animal indócil era a medida certa do meu tesão. Lentamente, levantou-se e sua boca procurou minha pele. Foram horas incontáveis de nós dois. Foram várias explorações, inúmeras descobertas. O duelo perfeito entre dois seres iminentemente sexuais.

Sr. P, de cafa passou a parceiro. Eu, de deusa a amante. Por meses nos aventuramos, nos afogamos e nos salvamos em mares nunca dantes navegados.