Hoje o vinho escorre manso entre meus seios: fio comprido, cor de âmbar, fazendo poça entre meus pêlos. A boca, beirando a vulva, à espera - língua comprida e quente vigiando as gotas, fazendo cócegas em minha pele. Meus olhos perdem-se através da janela. Ausentes do ato, presentes na memória. No passado o vinho foi denso. Rubro, escorreu pela glande lambuzada dos meus desejos. As mãos aparando golpes no ar em krav-magá imaginário. A sessão de nefastas estocadas fazendo coro em minhas pupilas dilatadas. E o gozo folgando os nós do estômago faminto de emoções. Hoje o vinho chega aos lábios dele. Forasteiro do meu corpo, guardião provisório dos meus mais baixos instintos. A pressão na veia ressoa oca em meus ouvidos. As carnes abertas tremem como dançarinas bêbadas prendendo a cabeça contra o volante. O estacionamento do supermercado não fecha. Outros machos heteros passeiam entre fêmeas reluzentes de desejos fingidos. Os lábios se juntam nas gotas translúcidas prendendo a dor fina em meio aos meus pêlos. O teto solar aumenta as estrelas pálidas. Mãos apertam minhas ancas de égua no cio. Ontem ele era nada, agora cavalo indomado arrancando a relva molhada. Vejo sua nuca e orelhas. Sem ver a boca deságuo vinho num orgasmo bêbado. E fico livre. Envio-lhe meu olhar desconhecido e a depressão atmosférica. Vai chover. E o supermercado já está fechando. Vou buscar bifes e batatas. Chuto o cachorro morto antes que o vômito me tome. Tranco o carro. Amanhã comprarei champanhe.
Ao acaso
Hoje o vinho escorre manso entre meus seios: fio comprido, cor de âmbar, fazendo poça entre meus pêlos. A boca, beirando a vulva, à espera - língua comprida e quente vigiando as gotas, fazendo cócegas em minha pele. Meus olhos perdem-se através da janela. Ausentes do ato, presentes na memória. No passado o vinho foi denso. Rubro, escorreu pela glande lambuzada dos meus desejos. As mãos aparando golpes no ar em krav-magá imaginário. A sessão de nefastas estocadas fazendo coro em minhas pupilas dilatadas. E o gozo folgando os nós do estômago faminto de emoções. Hoje o vinho chega aos lábios dele. Forasteiro do meu corpo, guardião provisório dos meus mais baixos instintos. A pressão na veia ressoa oca em meus ouvidos. As carnes abertas tremem como dançarinas bêbadas prendendo a cabeça contra o volante. O estacionamento do supermercado não fecha. Outros machos heteros passeiam entre fêmeas reluzentes de desejos fingidos. Os lábios se juntam nas gotas translúcidas prendendo a dor fina em meio aos meus pêlos. O teto solar aumenta as estrelas pálidas. Mãos apertam minhas ancas de égua no cio. Ontem ele era nada, agora cavalo indomado arrancando a relva molhada. Vejo sua nuca e orelhas. Sem ver a boca deságuo vinho num orgasmo bêbado. E fico livre. Envio-lhe meu olhar desconhecido e a depressão atmosférica. Vai chover. E o supermercado já está fechando. Vou buscar bifes e batatas. Chuto o cachorro morto antes que o vômito me tome. Tranco o carro. Amanhã comprarei champanhe.
Postado por Loba